Angola

3 maneiras de se proteger de notícias falsas

Fake news. Três formas para evitar o pânico do covid-19

É muito provável que, nas últimas horas, alguém lhe tenha feito chegar uma mensagem alarmista por telemóvel. Durante ao alargamento do COVID-19 a SENASNERD , recebeu +55 exemplos no primeiro dia da sua campanha de identificação da desinformação associada ao covid-19 no WhatsApp.

Nestas informações falsas, postas a circular maioritariamente através de ficheiros áudio, destacam-se três tipos de notícias falsas que pretendem criar um alarme social acrescido. Exemplos dessas mentiras: já há várias mortes que estão a ser “encobertas” pelas autoridades; vai ser decretada quarentena a partir de x e y de março por todo o país, com o fecho dos estabelecimentos comerciais e a ausência de mantimentos; as autoridades têm conhecimento de um número muito maior de infetados do que o divulgado à imprensa. Todas estas mensagens são, comprovadamente, falsas.

“estas narrativas falsas são na sua maioria validadas através da introdução de figuras de destaque na sociedade portuguesa como fontes dessa informação desconhecida do público: médicos, dirigentes ou funcionários hospitalares; filhos de figuras da política, da televisão ou dirigentes de grandes empresas.”

Quem ouve esta mensagem pode ficar com dúvidas. Será que há alguma informação que está a ser escondida? Por isso, estes depoimentos de uma alegada médica que garante que já lidou com várias mortes espalharam-se depressa, pelo menos desde quarta-feira.

Por isso, a melhor defesa que todos temos, numa crise de saúde como esta, é a escolha que fazemos da informação. Entre os dados que recolhemos encontram-se centenas de mensagens destas, que foram distribuídas e estão a ser analisadas pela equipa do SENASNERD e por um conjunto de voluntários que se disponibilizaram para fazer parte deste trabalho, dado o volume da desinformação detetada. Algumas pretendem convencer-nos de que a crise foi fabricada por razões económicas, outras pretendem apenas lançar o pânico. Nada disto é novo. Em Itália aconteceu precisamente o mesmo.

Por isso propomos três sugestões para que estas campanhas de medo nas redes sociais não apanhem ninguém desprevenido.

1 – Desconfie
Mesmo que a gravação de voz, ou um “testemunho” qualquer, que chegou ao seu telemóvel pareça genuína (a voz, a entoação, os termos que usa), e o que diz pareça sério, há sempre várias perguntas que devemos fazer. Como é que sei que aquela pessoa é, de facto, uma médica? Como posso confirmar que aquilo é verdade? Se não conseguir responder a nenhuma destas perguntas, desconfie. Sempre que ouvir, numa dessas mensagens, que “a informação não está a passar” porque estão a censurar as más notícias, duvide. As más notícias costumam ser rápidas, seja qual for o desejo de quem as quer censurar.

2 – Procure fontes oficiais, nunca anónimas
Num caso de saúde pública não podemos confiar em pessoas que não conhecemos e que nunca poderemos identificar. Se alguém nos disser, numa mensagem de voz no WhatsApp, que pode curar o covid-19 com um produto qualquer que essa pessoa inventou, não arriscaremos a nossa vida nessa experiência. O mesmo cuidado devemos ter com outras mensagens desse tipo. Há dezenas de fontes identificáveis oficiais (como a OMS, a DGS, os hospitais), informativas (jornais, TV, rádios e sites informativos onde trabalham jornalistas) ou académicas.

3 – Não alimente a “máquina” das mentiras
A preocupação e a ansiedade são naturais durante uma crise de saúde, que obriga milhões de pessoas no mundo todo a limitar os seus contactos sociais e os seus movimentos. Mas alimentar uma rede escondida de fabricadores de mentiras (seja por diversão, interesse político ou financeiro) não ajuda ninguém. Replicar estas mensagens alarmistas e falsas não tem outro efeito senão lançar o pânico e alimentar o medo. É isso que gera problemas ainda maiores e bem reais: escassez de alimentos nos supermercados, falta de álcool nas farmácias… Se não enviar essa mensagem a mais ninguém, a cadeia quebra-se.

Domingos Massissa

Estudante de Engª Informática, editor do portal amante do mundo NERD, onde engloba cinema tecnologia e Gamers.

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