AfricaNOTICIA TECNOLOGIA

Países africanos devem redesenhar as estratégia digital

Os países africanos mais avançados tecnologicamente devem “articular as suas prioridades digitais” em conformidade com objectivos do continente africano neste domínio e convertê-las numa “força organizacional”, defende um relatório do Institute for Security Studies (ISS) divulgado hoje.

O continente precisa de uma “reflexão estratégica” sobre a “formação e domesticação dos algoritmos e a implantação das futuras tecnologias digitais”, sem a qual os Estados africanos “correm o risco de serem arrastados pelas superpotências mais maduras em termos digitais e pelas suas agendas”, sustenta Keren Allen, a consultora do ISS que assina o estudo do instituto de análise sul-africano para as questões de segurança.

A “competição pela propriedade de tecnologias emergentes e respectivas relações de poder relacionadas” é uma das razões pelas quais a África “deveria envolver-se mais activamente na ciberdiplomacia”, defende o ISS.

Mas, para tanto, “precisa de melhorar a qualidade dos ciberdiplomatas africanos e incorporar o conhecimento digital” nas estruturas de governo dos seus países, aponta o estudo.

“Os Estados africanos precisam das infraestruturas subjacentes às tecnologias digitais, como as redes, ‘hardware’ e outras ferramentas do ecossistema cibernético. Isto torna-os dependentes de outros atores estatais e dos seus procuradores, mas também os deixa vulneráveis à influência e normas importadas sobre privacidade, vigilância de massas e segurança”, alerta o trabalho de Allen.

Exemplo disto é a “rápida implantação de sistemas de câmaras CCTV, juntamente com ferramentas de reconhecimento facial”, fornecidas por empresas chinesas em países como a Etiópia, África do Sul, Quénia e Zimbabué, e do debate sobre “soberania, interdependência tecnológica e feudalismo digital” que esse processo desencadeou.

África está “particularmente vulnerável à geopolítica tecnológica”, alerta o estudo, acrescentando: “Os desafios económicos enfrentados por muitos países do continente podem incliná-los a optar pela tecnologia mais barata em vez da mais segura”.

O relatório da ISS argumenta, por isso, que a União Africana deveria encorajar os seus 54 Estados-membros a “desvincularem o comércio do diálogo da diplomacia cibernética”.

“As relações comerciais bilaterais com poderosos fornecedores estatais de tecnologia podem comprometer os julgamentos sobre questões de governação, por exemplo. Desassociar o comércio da tecnologia pode encorajar abordagens à governação e segurança cibernética a nível continental, em vez de procurar ganhos económicos individuais a curto prazo”, sugere o texto.

“Isto reduziria o potencial dos poderes globais para adotarem estratégias de ‘dividir para reinar’ em questões digitais”, remata o ISS.

Neste contexto, se países como o Quénia, a África do Sul, Maurícias, Nigéria, Gana, Marrocos, Egipto e Ruanda coordenassem esforços, “isso reforçaria certamente a influência da África nas negociações da diplomacia cibernética”, sublinha o texto, a começar já na reunião dos representantes diplomáticos dos países africanos nas Nações Unidas, no próximo dia 17, em Nova Iorque, com os seus homólogos de todo o mundo para debaterem uma proposta de um novo tratado da ONU de combate ao cibercrime.


Ajude-nos a crescer, visite SENASNERD no Twitter FacebookInstagram . e deixe o seu gosto, para ter acesso a toda a informação em primeira mão. E se gostou do artigo não se esqueça de partilhar  com os seus amigos .

SUBSCREVA-SE NO CANAL YOUTUBE SENASNERD

Domingos Massissa

Estudante de Engª Informática, editor do portal amante do mundo NERD, onde engloba cinema tecnologia e Gamers.

Artigos Relacionados

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.

Botão Voltar ao Topo